quarta-feira, 3 de março de 2010

Teus olhos irados

Tua alma inscreveu-se inteira em minha alma,
e teu pensamento apossou-se dos meus.
Tudo que sentes, tudo que pensas
atravessa no mesmo instante a mente de teu escravo.

Meu ser está pleno de tua graça e beleza,
teus disfarces já revelaram mais de mil faces.
A cada manhã a flauta de bambu lamenta
a amarga ausência de teus lábios,
e o sopro de teu amor enche de açúcar
a embocadura dessa flauta.

Ao contemplar teu rosto de lua,
tua silhueta, teu perfil,
minha alma fundiu-se à lua nova.
E se me transformo em zunnar
é para que me ates à tua cintura.

Com teus olhos irados
viraste minha cabeça
para que este coração peregrino
viajasse para longe de si.

de Jalal ud-Din RUMI em Poemas Místicos

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